quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A campanha negativa em política




Grosserias, mentiras e ataques fazem parte da natureza da política, sobretudo em campanhas eleitorais. Acontecem sempre e em todos os lugares, contaminando as mais diversas posições políticas e ideológicas. Quanto mais a política passou a ser midiática, mais isso foi acontecendo. O lugar de destaque que marqueteiros têm nas campanhas comprova bem o fato.
Ninguém pode dizer que dessa água não beberá.
É uma visão poética, romântica, dizer que a esquerda é mais limpa que a direita. Em tese é, e sempre pretendeu ser. É um de seus orgulhos.  Mas no chão duro das competições políticas midiáticas, nem sempre. Stalin, por exemplo, radicalizou e elevou ao absurdo a tática de mentir e intimidar adversários, a maioria dos quais integrantes do próprio Partido Comunista. Converteu Trotsky em agente do imperialismo. Mandou assassiná-lo depois que o processo de desconstrução não deu conta do recado. A ultraesquerda, por sua vez, nunca deixou de apresentar a socialdemocracia e os comunistas democráticos como colaboradores insanos do capitalismo, passando por cima de programas e posições políticas concretas. Forçam aproximações e cancelam diferenças importantes para fazer isso.
Hoje em dia, em plena época de desestruturação dos partidos e de crise ideológica, a esquerda deixou de ser diferente e de ter outra ética. Usa e abusa das mesmas táticas de desconstrução empregadas por qualquer outra posição política. Deixou de debater para se entregar a mesma espécie de “tribunalização” da política que antes deplorava em seus adversários.
Mesmo assim, continua cabendo às esquerdas e aos democratas (socialistas, liberal-socialistas, democratas, comunistas, libertários, ecologistas, ambientalistas, feministas) uma responsabilidade grande na criação de um padrão ético consensual, de um senso comum cívico e democrático. Sem este foco, a luta deles não fará muito sentido. Em sociedades desiguais, submetidas a poderes fáticos perversos, a falta de paridade nos embates materiais pode ser compensada com valores e ideias.
É enorme a dificuldade para que se construa um senso cívico democrático. Ninguém sabe como fazer isso. Hoje mais ainda, porque a sociedade está meio “fora de controle”. Mas esta continua a ser a missão das esquerdas e dos democratas. Ou eles fazem política de outro modo, ou nada sairá do lugar.
Manobras táticas
Há outro problema a se considerar. Mais realista. A campanha suja, a campanha negativa, funciona? Ela tem sido insistentemente empregada por Dilma e Aécio
Se tomarmos a evolução das pesquisas nas três últimas semanas no Brasil, parece que sim, ainda que nem tanto. Na primeira sondagem depois do início dos ataques frontais (Ibope, 12/9) Dilma cresceu na medida em que bateu. Marina caiu na medida em que apanhou. Dois pontos para cima uma, dois para baixo a outra. Aécio empacou. Na segunda sondagem (Ibope, 16/9), Dilma decaiu 3 pontos, Marina 1 e Aécio subiu 4 pontos.
Invariavelmente, os ataques, em vez de explorarem fragilidades, falhas e contradições das propostas adversárias, enveredaram pelo terrorismo, pela falsificação e pela mentira, a título de “forçar a discussão política”. Dilma e Aécio dispararam flechas um contra o outro e ambos contra Marina. Foi tamanha a violência e a força do ataque que todos se surpreenderam com a capacidade de resistência de Marina.
A operação tem se assentado sobre alguns pontos, martelados com insistência pela propaganda. (a) Os adversários não são preparados para governar o país, ou porque não têm experiência, ou porque estão cercados por gente pouco confiável, ou porque não tem a devida estrutura política; (b) cancelarão benefícios sociais generosamente concedidos pelo governo; (c) vão suprimir verbas da saúde e da educação e levar fome e desemprego às famílias; (d) são campeões da corrupção; (e) estão a serviço de empresários e banqueiros.
Para sustentar as acusações, os que atacam empregam táticas de deformação e distorção de frases pescadas nas falas e nos programas dos adversários. O fato de haver somente uma linha escrita sobre o pré-sal é convertido em confissão de que “se acabará com o pré-sal”. Autonomia e independência do Banco Central é traduzida como proposta dedicada a “colocar a raposa no galinheiro”. Há, além disso, imputações de todo tipo, que não respeitam nem o que está efetivamente escrito, nem muito menos a lógica política e o bom senso. Até em “golpe” chegam a falar, com o intuito de assustar os eleitores.
Os marqueteiros orientam tudo, sedentos da obtenção de melhores índices nas pesquisas. Mas os candidatos – Dilma sobretudo, ajudada por Lula, mas não somente ela – vestem os figurinos e vão descendo ladeira abaixo. Mobilizam tropas de choque para potencializar os ataques. Empregam táticas de sufocamento e pressão. Trafegam à margem do debate público democrático: não querem esclarecer, somente intimidar. Dizem que, ao fazerem isso, mostram que o candidato que quiser mesmo ser Presidente tem de provar que “uporta críticas e pressões”.
Efeitos e resultados
Mas e se projetarmos isso no tempo, pensarmos nas próximas três semanas? O medo criado no eleitor conseguirá superar a esperança que outras campanhas buscam criar nele? Não poderá ser confundido com desespero? Não poderá sofrer um efeito-bumerangue e voltar-se contra seu criador? As campanhas negativas não podem chegar a um ponto de saturação e deixar de produzir efeitos?
Há muita literatura, no mundo todo, dizendo que campanhas negativas funcionam no curto prazo, mas negam fogo no longo. Não conseguem se sustentar e produzir resultados depois dos primeiros ataques
Ninguém pode saber com precisão. O medo é uma boa arma, assim como a esperança ou a confiança no futuro. Uma sangra e pressiona, a outra conclama à confiança e a um futuro melhor. Assustar as pessoas com o risco de uma volta ao passado funesto pode produzir efeitos mobilizadores, mas também pode gerar depressão e tanto medo que as pessoas tentarão se refugiar em ambientes ou propostas mais arejadas.  O excesso de esperança, por sua vez, nem sempre produz determinação: pode levar à dispersão e ao imobilismo.
Os marqueteiros são especialistas em decifrar este enigma. E em dosar o quantum de medo e de esperança haverá em cada campanha. Mas sempre terão de considerar o risco de que a montanha, ao fim e ao cabo, acabe por parir um rato. As urnas dirão se suas escolhas deram certo.
Não há blocos monolíticos em política. Nem em campanhas ou partidos. Partidos são entidades partidas: luta de correntes.
Na campanha do PSDB, por exemplo, há dúvidas sobre em quem Aécio deve “bater” e como deve fazer isso. FHC, por exemplo, acha natural que seu candidato “dê uma ou outra cutucada na Marina", mas pensa que “o chumbo grosso deve se concentrar no PT e, portanto, na Dilma."
Não são todos os petistas, por sua vez, que aplaudem a campanha difamatória contra Marina.  A blitz comandada por João Santana não é consenso no PT. “Não se pode tratar a Marina assim”, afirmou o ex-deputado petista Paulo Delgado. “A Dilma se esquece de que a Carta ao Povo Brasileiro foi escrita a pedido de Olavo Setubal, do Itaú”, emendou, em referência ao documento divulgado em 2002, na vitoriosa campanha de Lula, para acalmar o mercado. “Devemos falar de nossas propostas, e não atacar Marina”, disse o senador Eduardo Suplicy.
A campanha de Dilma tem um viés esquizofrênico, que aumenta na medida em que vai se mostrando bem sucedida. No papo com as elites e grande burguesia (sim, o PT conversa com ela), Marina é apresentada como uma radical antimercado e contra o agronegócio, que irá facilitar a introdução do caos econômico. Para a população em geral, as bases petistas e o sindicalismo próximo do partido, Marina é um demônio ultraliberal, traidora do passado petista, serviçal dos bancos privados, inimiga das conquistas sociais e dos vários programas assistencialistas. Chegam mesmo a dizer que ela estaria à direita do PSDB, o que significa passar um filme de terror para os cativos do maniqueísmo.
A polarização está reposta. Sempre esteve. Política eleitoral é polarização, governo x oposição. A “onda Marina” veio forte, desorganizou o jogo e criou outra dinâmica. Arrefeceu um pouco, depois. Voltou-se à normalidade relativa, onde o que pesa mais são as estruturas de poder e a força das campanhas. O dique contra ela existiria de qualquer modo, mesmo que a campanha fosse limpa. Sua única chance é se a sociedade e a opinião pública, que escapam das estruturas formais, aceitarem suas proposições.

25 comentários:

Ricardo Salles disse...

Prezado Marco.
Entendo sua posição e até concordo sobre como a esquerda abdicou de qualquer discurso ético e coerente sobre a política.
Antes de prosseguir, declaro emu voto em Dilma, ainda que não seja filiado ao PT e tenha muitas críticas ao governo.
Voto na Dilma porque há muito em jogo que ainda não está consolidado em nossa democracia. Tenho razões de sobra para acreditar que Aécio atacará estas conquistas.
Também acho que Marina é, no mínimo, um grande risco. Seja pelo programa sem um norte claro, seja pelas alianças à direita, onde, diferentemente do PT (que também se alia a gente muito ruim), tenderá a ser minoritária, seja, finalmente, por propostas como a independência do BC, que é uma reivindicação nodal do financismo, ainda que meio cambaleante no plano internacional.
Por último, discordo da "beatificação" de Marina, a única que aparece pura em sua análise. Dizer que o PT colocou uma quadrilha para dilapidar a Petrobras, baseada no vazamento ilegal de uma investigação em curso, é leviano e é jogo sujo.
Abraço,
Ricardo

marco a nogueira disse...

Obrigado pelo comentário, Ricardo, sempre oportuno e ponderado. Estamos em posição diferente em termos analíticos: penso que justamente por ser minoritária e estar sustentada por uma coligação fragil é que Marina pode arejar o sistema político e as rotinas de governo. Se vencer (o que me parece difícil de acontecer), em vez de se entregar às alianças conservadoras que são impostas aos governos que têm muita "força" (muitos recursos de poder), ela terá uma grande oportunidade de fazer diferente. Não terá muito a dar, nem a perder.
Santificações e beatificações não são exclusividade dela. Passa-se o mesmo com Lula. A imagem religiosa de Marina reforça a imagem, claro, mas não me parece decisivo.
A acusação de que o PT colocou uma quadrilha na Petrobras veio em resposta a uma acusação petista bem pior que essa: a de que Marina irá acabar com o Bolsa Família, entregar a Petrobras para o imperialismo e provocar deliberada miséria no país com a independência do BC. A independência é um problema técnico e político complicado, mas nenhum governo poderá simplesmente "decretá-la": terá de negociá-la com o Congresso. E se, como falam todos, Marina for mesmo minoritária e fraca, não haverá porque as propostas dela passarem automaticamente.
O debate tá péssimo de todos os lados.

Sineval Rodrigues disse...

Prezado Marco, afora os xingamentos e acusações indevidas lado-a-lado, os momentos chororô, que convenhamos bastante apelativos, os momentos de alinhamento religioso com os Silas e Felicianos não faz dela apenas uma imagem santificada, da qual poderia querer se descartar posteriormente mas, orienta um viés epistemológico pouco republicano e pouco laico (desconsidere declarações tolas de que ela escolhe versículos ao acaso para apoiar suas decisões).
Sobre as alianças os próceres do PSDB já sinalizaram a pista de pouso (não me refiro a de Cláudio). Sem alianças, que só se dão no campo conservador - até por ser o conservadorismo predominante no eleitorado, e sendo "minoritária e fraca" como você sugere, elege-la coloca em risco as condições de governabilidade. Isto não pode ser menosprezado. Em seu socorro poderá vir legiões do sistema financeiro, o qual já se deu ao desplante de produzir "panfletos" aterrorizando seus clientes da alta renda. Se o terceiro escalão do Santander é autorizado a praticar um pouquinho de terrorismo, imagine quando o primeiro escalão decidir entrar em campo - o Financial Times, que tem se mostrado em porta-voz desse segmento, vai ficar com inveja.
Mas o que importa não apareceu ainda com inteireza: O projeto econômico neoliberal parrudo, assentado no famoso tripé, que vem anunciado um ano difícil no início do governo - para por ordem na casa. Você melhor do que sabe o que significa isso. A opção pelos rentistas, pelos residentes no andar de cima, está menos evidente nas relações com a agora "educadora" Neca e mais claramente nos escorregões do desajeitado Brant e nas palestras que assisti do Prof Gianetti. Que aliás insiste em todas elas que ele trabalha com fatos empíricos e trata o assunto economia com neutralidade científica. Você eu sabemos que colocar as coisas da economia nesses termos é pura cara-de-pau, para não dizer: desonestidade intelectual.
Ah!, você começa falando contra as atuais maledicencias. Que tal a campanha cerrada da mídia, desde a ficha policial da Dilma, publicada pela folha, as sucessivas capas da Veja, etc, etc...Sugiro fazer uma reflexão crítica sobre o papel da imprensa e, por conseguinte, dos intelectuais nessa campanha.
Abraço,

Sineval

Sineval Rodrigues disse...

Prezado Marco, afora os xingamentos e acusações indevidas lado-a-lado, os momentos chororô, que convenhamos bastante apelativos, os momentos de alinhamento religioso com os Silas e Felicianos não faz dela apenas uma imagem santificada, da qual poderia querer se descartar posteriormente mas, orienta um viés epistemológico pouco republicano e pouco laico (desconsidere declarações tolas de que ela escolhe versículos ao acaso para apoiar suas decisões).
Sobre as alianças os próceres do PSDB já sinalizaram a pista de pouso (não me refiro a de Cláudio). Sem alianças, que só se dão no campo conservador - até por ser o conservadorismo predominante no eleitorado, e sendo "minoritária e fraca" como você sugere, elege-la coloca em risco as condições de governabilidade. Isto não pode ser menosprezado. Em seu socorro poderá vir legiões do sistema financeiro, o qual já se deu ao desplante de produzir "panfletos" aterrorizando seus clientes da alta renda. Se o terceiro escalão do Santander é autorizado a praticar um pouquinho de terrorismo, imagine quando o primeiro escalão decidir entrar em campo - o Financial Times, que tem se mostrado em porta-voz desse segmento, vai ficar com inveja.
Mas o que importa não apareceu ainda com inteireza: O projeto econômico neoliberal parrudo, assentado no famoso tripé, que vem anunciado um ano difícil no início do governo - para por ordem na casa. Você melhor do que sabe o que significa isso. A opção pelos rentistas, pelos residentes no andar de cima, está menos evidente nas relações com a agora "educadora" Neca e mais claramente nos escorregões do desajeitado Brant e nas palestras que assisti do Prof Gianetti. Que aliás insiste em todas elas que ele trabalha com fatos empíricos e trata o assunto economia com neutralidade científica. Você eu sabemos que colocar as coisas da economia nesses termos é pura cara-de-pau, para não dizer: desonestidade intelectual.
Ah!, você começa falando contra as atuais maledicências. Que tal a campanha cerrada da mídia, desde a ficha policial da Dilma, publicada pela folha, as sucessivas capas da Veja, etc, etc...Sugiro fazer uma reflexão crítica sobre o papel da imprensa e, por conseguinte, dos intelectuais nessa campanha.
Abraço,

Sineval

Celi Scalon disse...

Lúcido e perspicaz, como sempre. A última pesquisa de opinião parece responder sua pergunta. Não! Os ataques baixos e anti-éticos empregados pelo PT não surtem efeito ou, pelo menos, já encontraram seu limite. Dilma caiu, Marina se manteve e Aécio subiu. Ainda que, estes parcos pontos percentuais, mostrem mais estabilidade do que mudança.
Ao que tudo indica, teremos segundo turno. Como vejo o PT incapaz de elevar o nível, teremos mais baixarias. No entanto, no segundo turno o jogo se desenvolverá em igualdade de condições - mesmo tempo de TV, igual exposição à midia. Será que as mentiras e difamações se sustentarão à luz de respostas que, dessa vez sim, terão a mesma medida de tempo que as infâmias?
Acho que o marqueteiro do PT deveria rever seus conceitos :)

marco a nogueira disse...

Caro Sineval, muito obrigado pelo comentário. Como vc deve ter visto em outros textos do blog, estamos em posições completamente distintas. Não vejo inflexão "neoliberal" em Marina e nem penso que a candidatura Dilma expresse o que há de mais avançado no campo democrático. nem falo em "esquerda" porque tenho sérias dúvidas se o PT ainda pode ser inserido neste campo.
Eu não falei em maledicências. E o texto começando admitindo que campanhas negativas fazem parte da luta política. Tenho feito várias análises críticas sobre a mídia, a grande mídia, que foi convertido em bicho-papão na vida brasileira. Em meu último livro, há um longo capítulo sobre isso. Capas da Veja e editoriais do JN têm pesos parecidos (em termos políticos e em termos de nivel) ao que fazem sites como o Muda Mais e vários textos, blogs e sites da mídia governista.
Quanto aos intelectuais, eles acompanham a luta política. Os que se batem pelo PT não me parecem ter melhor nível (seguramente não têm melhores argumentos) do que os que estão em campanhas opostas. É uma pena que os intelectuais participem pouco das campanhas fazendo o que compete a eles, que é esclarecer a opinião pública e a população. Vão se deixando levar pela polarização eleitoral, sem qualquer atenção para com a correlação de forças e o perfil substantivo das diferentes candidaturas.
Ou seja, a situação é tudo, menos preto-no-branco. Há muitas nuances. Campanhas eleitorais não costumam considerar estas nuances, mas elas existem.
Grande abraço

Celi Scalon disse...

Querido Marco,

Lúcido e perspicaz, como sempre.
A última pesquisa de opinião parece responder sua pergunta. Não. Os ataques baixos e anti-éticos empregados pelo PT não surtem efeito ou, pelo menos, já encontraram seu limite. Dilma caiu, Marina se manteve e Aécio subiu. Ainda que, esses parcos pontos percentuais, mostrem mais estabilidade do que mudança.
Ao que tudo indica, teremos segundo turno. Como vejo o PT incapaz de elevar o nível, teremos mais baixarias. No entanto, no segundo turno o jogo se desenvolverá em igualdade de condições - mesmo tempo de TV, igual exposição à midia. Será que as mentiras e difamações se sustentarão à luz de respostas que, dessa vez sim, terão a mesma medida de tempo que as infâmias?
Acho que o marqueteiro do PT deveria rever seus conceitos.

marco a nogueira disse...

Obrigado pelo comentário, Celi. Também acho que os ataques têm sido deploráveis, porque sustentados por mentiras e contrafações. Prestam um péssimo serviço para a nossa cidadania, já tão maltratada pela m´dia em geral. Seria de esperar que os políticos fizessem algo diferente, especialmente os que se põem numa posição de esquerda. Mas não, eles estão a agir como o Tiririca.
Campanhas negativas não sobrevivem no tempo. Num dado momento, perdem a eficácia. No caso da campanha petista, acho que chegou a esta momento. Ontem ou hoje vi a Dilma tentando posar de "dilminha paz e amor", um exercício difícil para ela mas que pode estar a indicar que estão percebendo que foram longe demais.
Abraço

Lia Baraúna disse...

Marco, fico feliz por vc não ter abandonado o debate político, até porque o do futebol, q é outra das suas paixões, não tem o menor apelo pra mim. E anda muito desconfortável discutir política no FB.
A suposição de q a esquerda tem um padrão ético melhor me parece excessivamente generosa da sua parte. Ou wishful thinking. Há tempos não temos evidencia disso, nem aqui nem no resto do mundo. Quanto à agressividade da campanha do PT, eu também estou curiosa pra ver o resultado. Talvez seja uma tática para evitar um 2º turno onde, como alguém já citou acima, as coisas se complicam para Dilma pq ambas terão o mesmo tempo de TV e tb porque o voto anti PT vai ganhar força. Confesso q, apesar de ter perdido o entusiasmo pelo PT, também não estou confortável com as outras opções. No caso de Marina, ainda me incomoda q ela seja ligada a uma igreja ultra conservadora. Mas o resto (pré-sal, banco central, etc.), ainda quero entender melhor. Agora, o linchamento da tal Neca Setúbal é mesmo um exagero. Ela tá longe de ser o pior da burguesia brasileira.

marco a nogueira disse...

Obrigado, Lia, pelo comentário. Em outras respostas, já dei uma aliviada na minha observação de que a esquerda tem mais qualidade e ética superior. Eu devia mesmo ter feito algumas considerações que situassem melhor isso. Talvez seja uma decorrência da minha desilusão com a esquerda, ou de meu entusiasmo pelo potencial que ela, e desperdiça.
Muita gente está com uma posição parecida com a tua. Eu estava, não estou mais. Creio que há propostas que terão de ser muito bem discutidas. Outras precisam ser mais bem esclarecidas, como o BC. No caso do pré-sal, penso que está tudo claro: podemos manter o petróleo no centro e ir reduzindo nossa dependência dele. Marina afinal é uma ambientalista e n´so só teremos benefícios caso consiga viabilizar algo nesta direção.
A ligação dela com igrejas e religiões ultraconservadoras não me preocupa muito. Primeiro porque Marina tem uma trajetória doutrinária muito clara, que não faz concessões ao reacionarismo. E segundo porque igrejas e religiões não mandam em governos, não podem mandar, ainda que façam parte da vida e pesem. É como achar que bancos mandam em tudo. Abraço

Lia Baraúna disse...

Legal, Marco. Obrigada pela resposta. Vou continuar investigando e tentar colocar entre parênteses o meu problema em relação aos evangélicos. Eles me incomodam muito porque não se contentam em garantir a liberdade de culto, querem estabelecer as regras deles para todos. E o pior é que ninguém com chances de ganhar a eleição enfrenta os caras. Serra e Dilma, os dois provavelmente ateus, perderam essa oportunidade nas últimas eleições. Nesse sentido, não me sinto representada por nenhum candidato no 2º turno. Abraços e bom fim de semana

marco a nogueira disse...

Entendo, Lia. Nem sempre a gente consegue se sentir representado pelos candidatos. Bom fds também prá vc. Abraço

Celi Scalon disse...

Seriam as igrejas pentecostais tão distintas da católica? Se hoje ainda mantemos no Brasil a política de criminalização do aborto, responsável pela morte de tantas mulheres, é graças ao forte lobby católico. Tanto que no debate na CNBB os candidatos se esquivaram de questões polêmicas como esta. O Estado é laico e as religiões não deveriam ter poder de decidir sobre questões públicas. No entanto, como precisam garantir votos e apoio, os governos têm permitido que as religiões, especialmente a católica, pautem as regras de conduta de todos. É lamentável, mas não é uma exclusividade das igrejas pentecostais. Infelizmente.

Celi Scalon disse...

Seriam as igrejas pentecostais tão distintas da católica? Se hoje ainda mantemos no Brasil a política de criminalização do aborto, responsável pela morte de tantas mulheres, é graças ao forte lobby católico. Tanto que no debate na CNBB os candidatos se esquivaram de questões polêmicas como esta. O Estado é laico e as religiões não deveriam ter poder de decidir sobre questões públicas. No entanto, como precisam garantir votos e apoio, os governos têm permitido que as religiões, especialmente a católica, pautem as regras de conduta de todos. É lamentável, mas não é uma exclusividade das igrejas pentecostais. Infelizmente.

marco a nogueira disse...

Vc tem razão, Celi. Temos uma longa tradição de conservadorismo católico no Brasil. Historicamente, ele pesa muito mais do que o pentecolismo. Funciona como um bloqueio grave, em que pese a teologia da libertação e o esforço renovador de alas da Igreja Católica. O que impressiona hoje é a espetacularizacao empreendida pelos evangélicos, sua agressividade retórica e sua ética de resultados, com pouca transcendência. Pessoalmente, os evangélicos não me assustam mais que os católicos, quando se trata de pensar a política. Eles são mais apetitososo, mas por isso mesmo se vendem com mais facilidade. Não todos, é evidente. Felizmente!

marco a nogueira disse...

Vc tem razão, Celi. Temos uma longa tradição de conservadorismo católico no Brasil. Historicamente, ele pesa muito mais do que o pentecolismo. Funciona como um bloqueio grave, em que pese a teologia da libertação e o esforço renovador de alas da Igreja Católica. O que impressiona hoje é a espetacularizacao empreendida pelos evangélicos, sua agressividade retórica e sua ética de resultados, com pouca transcendência. Pessoalmente, os evangélicos não me assustam mais que os católicos, quando se trata de pensar a política. Eles são mais apetitososo, mas por isso mesmo se vendem com mais facilidade. Não todos, é evidente. Felizmente!

Benedito Antunes disse...

Marco, além do que já foi dito a propósito de sua análise, gostaria de acrescentar algo sobre o desserviço à democracia e ao debate político representado por esses ataques. Apesar de terem surtido pouco efeito até o presente, eles sem dúvida vão cumprir seus objetivos, pois se dirigem a um eleitor despolitizado, incapaz de avaliar as acusações, que acaba acreditando em quem repete mais vezes e com mais veemência. Isso não é novidade. Em momentos recentes de grave crise política, dirigentes ignoraram os dados da realidade e se voltaram ao povo usando um discurso em que importavam menos os argumentos do que a confiança de que desfrutavam. É uma estratégia eficiente para superar uma situação imediata e atingir determinados fins, mas não contribui em nada para o verdadeiro debate político.

José J de Azevedo disse...

MUITO BOA A ANÁLISE SOBRE O TERRORISMO VERBAL UTILIZADO NA CAMPANHA PARA PRESIDENTE, ESPECIALMENTE POR PARTE DOS MARQUETEIROS DO PT E, EM MENOR TOM, DOS MARQUETEIROS DE AÉCIO NEVES. ESSA TÁTICA REVELA, NO MÍNIMO, O TEMOR DA DERROTA E, PSICOLOGICAMENTE FALANDO, A EXPOSIÇÃO DE DEFEITOS QUE, AO NÃO SER ADMITIDOS EM SI MESMO, PROCURA NO OUTRO O QUE NEGA EM SI. ALGUNS COMENTÁRIOS QUE LI TAMBÉM PARACE SEGUIR ESSE TIPO DE ARGUMENTAÇÃO. DEVEMOS OLHAR PARA O PANORAMA POLÍTOCO ATUAL E PERCEBER QUE PAÍSES DE TRADIÇÃO CRISTÁ, PROTESTANTE, COMO OS LUTERANOS E CALVINISTAS, SÃO OS DE MENOR CORRUPÇÃO, MELHOR DISTRIBUIÇÃO DE RENDA, ALTO NÍVEL DE PUDOR POLITICO - COMO NO CASO DA SUÉCIA ONDE UM VEREADOR GANHA MENOS DE R$ 200,00 POR SESSÃO QUE PARTICIPA - E MAIS NADA! SUÍÇA, FINLANDIA, NORUEGA, SUÉCIA, DINAMARCA, ALEMANHA, ENTRE OUTROS, ATESTAM QUE OS CRISTÃO PODEM E TEM SIDO BONS GOVERNANTESE QUE É POSSIVEL O SOCIALISMO FIRMADO NA BOA ANCORA DA DEMOCRACIA - O QUE NÃO ACONTECEU COM OS REGIMES QUE IMPUSERAM O ATEISMO DE ESTADO COMO FORMA DE GOVERNO.

José J de Azevedo disse...

MUITO BOA A ANÁLISE SOBRE O TERRORISMO VERBAL UTILIZADO NA CAMPANHA PARA PRESIDENTE, ESPECIALMENTE POR PARTE DOS MARQUETEIROS DO PT E, EM MENOR TOM, DOS MARQUETEIROS DE AÉCIO NEVES. ESSA TÁTICA REVELA, NO MÍNIMO, O TEMOR DA DERROTA E, PSICOLOGICAMENTE FALANDO, A EXPOSIÇÃO DE DEFEITOS QUE, AO NÃO SER ADMITIDOS EM SI MESMO, PROCURA NO OUTRO O QUE NEGA EM SI. ALGUNS COMENTÁRIOS QUE LI TAMBÉM PARACE SEGUIR ESSE TIPO DE ARGUMENTAÇÃO. DEVEMOS OLHAR PARA O PANORAMA POLÍTOCO ATUAL E PERCEBER QUE PAÍSES DE TRADIÇÃO CRISTÁ, PROTESTANTE, COMO OS LUTERANOS E CALVINISTAS, SÃO OS DE MENOR CORRUPÇÃO, MELHOR DISTRIBUIÇÃO DE RENDA, ALTO NÍVEL DE PUDOR POLITICO - COMO NO CASO DA SUÉCIA ONDE UM VEREADOR GANHA MENOS DE R$ 200,00 POR SESSÃO QUE PARTICIPA - E MAIS NADA! SUÍÇA, FINLANDIA, NORUEGA, SUÉCIA, DINAMARCA, ALEMANHA, ENTRE OUTROS, ATESTAM QUE OS CRISTÃO PODEM E TEM SIDO BONS GOVERNANTESE QUE É POSSIVEL O SOCIALISMO FIRMADO NA BOA ANCORA DA DEMOCRACIA - O QUE NÃO ACONTECEU COM OS REGIMES QUE IMPUSERAM O ATEISMO DE ESTADO COMO FORMA DE GOVERNO.

Celi Scalon disse...

Concordo Marco. Eu sempre preferi conhecer e reconhecer meus adversários, por isso me assombra mais a mão "invisivel" de algumas instituições sobre o Estado.

Celi Scalon disse...

Concordo Marco. Eu sempre preferi conhecer e reconhecer meus adversários, por isso me assombra mais a mão "invisivel" de algumas instituições sobre o Estado.

marco a nogueira disse...

Concordo inteiramente com vc, caro Benedito. Os ataques ferem candidatos, mas fazem a democracia sangrar. Com eles, perdemos todos. Grande abraço,

marco a nogueira disse...

José Azevedo, obrigado pelo comentário. É verdade, as relações entre cultura religiosa e cultura política, entre igrejas e Estado, conhecem vários caminhos. Não há uma única solução, nem uma causalidade rígida entre eles. Abraço

Adriano Siqueira disse...

Caros esses debates tão sobrios de vocês me faz pensar que não estamos no Brasil. ...Parabéns pelo nível. Sou professor universitário numa escola pública, pra mim tá excelente o governo do PT, a maioria dos demais colegas de trabalho são petistas, pois as bolsas não param de chegar na academia.... porém o custo benefício não é satisfatório a médio prazo, o PT aparelhou as instituições públicas, não as respeita, fazendo que elas divulguem aquilo que ele deseja, desvirtua o propósito da Estado dando benesses exageradas para seus aliados e impõe até demissão na iniciativa privada que diverge de seus interesses ( Santander)....fora os desvios R$ muitos e absurdos com investimentos em países comunistas....pois é pra isso que caminhamos. A despeito das benfeitorias a conta não fecha, o prejuízo é enormemente maior.... perdemos a credibilidade internacional, o respeito as instituições, o caráter das famílias, estas ultimas desvirtuadas ao extremo...eu nao estou a venda PT.

marco a nogueira disse...

Obrigado pelo comentário, Adriano. O governo petista promoveu vários políticas importantes para a universidade e a educação. Os problemas que enfrentamos não se devem a eles, a meu ver. Em clima de campanha eleitoral, tudo tende a ficar exacerbado demais e o desvirtuamento das informações existe mesmo. Temos de ir analisando sempre.