quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Uma transexual na Casa Branca


Desde o último dia 4 de janeiro, Amanda Simpson, de 48 anos, é conselheira técnica sênior do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, um alto cargo na Casa Branca, nomeada pelo presidente Barack Obama. O Departamento tem como tarefa proteger a segurança nacional mediante a gestão do comércio internacional, a aplicação dos tratados e a promoção da segurança econômica, cibernética e interna.

Até 2002, Amanda era Mitch Simpson, e trabalhava numa empresa de segurança. Naquele ano, submeteu-se a seis cirurgias para mudar de sexo. Em 2006, passou a integrar a diretoria do Centro Nacional pela Igualdade dos Trânsgeneros.

"Estou verdadeiramente honrada com a nomeação e ansiosa e entusiasmada com esta oportunidade", ela declarou no website do Centro. "E ao mesmo tempo, como um dos primeiros transexuais indicados pelo presidente, espero que em breve o governo federal tenha centena deles, e que minha nomeação abra futuras oportunidades para muitas pessoas”.

Fui procurado pela Folha OnLine para analisar o fato. "Obama está fazendo uma escolha muito mais orientada pelos direitos humanos do que pelo impacto político que isso possa ter na comunidade como um todo", disse então. Trata-se de uma escolha meritória em si mesma, mas cercada de algum risco político. Prova de coragem e coerência.

A decisão de Obama tende a repercutir e a exercer alguma influência em outros países. No caso do Brasil, a questão está aberta. A sociedade atual emite sinais claros nessa direção. Resta saber se políticos e governantes conseguirão decifrá-los.

Ouça as declarações no podcast da Folha OnLine.

3 comentários:

daniela disse...

Jogo político ou não, a decisão de Obama por si só já representa um grande avanço para uma parcela tão hostilizada e à margem da sociedade, caso das transexuais.

É claro que ser homem ou mulher não torna ninguém melhor ou pior. Espero que Amanda Simpsom aproveite a oportunidade que lhe foi dada e desempenhe bem sua função.

Um abraço, professor!

daniela.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Valeu, Daniela! Concordo inteiramente.

Penso que o fato da Amanda ser uma transexual é importantíssimo. Pessoas transexuais constituem um grupo pequeno, menor do que o homossexual. Têm menos visibilidade e provavelmente são vítimas de preconceitos piores do que os que sofrem os homossexuais. Fazer com que certas barreiras sejam eliminadas, como fez Obama, é uma postura que precisa ser aplaudida de pé.

Não conheço suficientemente o assunto, mas creio que transexuais e homossexuais estão juntos nessa luta, que é aliás uma luta de toda a cidadania. Por isso a decisão de Obama deve repercutir de modo mais amplo, atingindo todo o universo GLST.

Muito obrigado por teu comentário!

Abraço,

Gilson Caputi disse...

Olá Professor, concordo com o senhor. Esta foi uma prova real de coragem e coerência. O mérito perpassa, em absoluto, qualquer condição que possa limitar o deferimento do cargo. Às vezes penso como seria se isso ocorresse em nosso país. Qual seria a postura de Lula para tal indicação, será que de fato ele a nomearia. Obama, verdadeiramente, é uma grande estadista, prova isso a cada dia. Lula, perante tal situação, como bom demagogo que é, logo, também o faria, sobretudo, se houvesse alguma pressão sobre o assunto, não duvido disso. No entanto, uma coisa é seguir uma tendência política com intuito de atender o que se espera. Outra coisa é o estadista compreender de fato, respeitar tal condição e admiti-la como algo perfeitamente normal. O que, por sinal, vejo no senhor. Suas palavras demonstram isso. Mas esse não é o caso do nosso presidente. Até o imagino em “off”, comentando a um de seus assessores o assunto: “Pô companheiro, acho um absurdo isso, por mim tinha que prender tudo.Mas sabe como é que é, política é política”. Ou seja, o que eu quero dizer é que Lula não entende esse tipo de questão. Para ele sim é tudo um grande jogo político.