domingo, 19 de abril de 2009

Um domingo de política e paixão

Em campo, não houve guerra, mas tensão e conflito. protagonizado por militantes aguerridos de uma causa: levar o time às finais. Arrastaram multidões. À beira do campo, antes da partida começar e durante ela, houve muita estratégia, tática, simulações e dissimulações. Os técnicos analisaram o jogo, buscaram conhecer o adversário e orientar os jogadores. No conjunto, foi um diálogo de tipo especial, mas nem por isso desprezível como arte política. Menor, dirão muitos. Tenho minhas dúvidas.

Um personagem meio gordo, já com alguns cabelos brancos, mostrou que clássicos de futebol também precisam de heróis. Não que tenha resolvido a partida, que terminou 2 a 0, com direito a um golaço dele. Mas foi o coadjuvante magnético de um coletivo bem organizado e determinado, que não tremeu e soube se impor.

18 comentários:

Celso Pereira Neris Junior disse...

O Palmeiras que me perdoe a heresia, mas o Ronaldo joga demais e é muito bom vê-lo dando aquela arrancada "fenomenal". Queria ser "gordo" assim. A despeito da rivalidade, torci para o Corinthians, não suporto aquela diretoria são-paulina.

Parabéns, tomara que percam a final.

Torcer para o Corinthians ser campeão já é demais. :D

Abs.

Sandro disse...

Foi de arrepiar... O Todo-Poderoso se superou e calou a arrogância das gazelas. Isso mostra a força de nossa camisa e reforça a idéia de que quando vale alguma coisa as moças tremem... De resto, eu quase não brinco quando escrevo que Corinthians x Bambis é a essência da luta de classes, embora eu esteja mais inclinado a pensar que o Corinthians não pertence a este mundo e que ser corintiano é antes de mais nada uma experiência religiosa.
Parabéns por seu texto professor e continue indo contra a corrente de "intelectuais" que empinam o nariz diante de um distintivo de futebol. Outro dia eu estava assistindo um documentário sobre a relação entre a ditadura argentina e a copa de 1978 e um jornalista portenho soltou essa preciosidade: "quem pensa que política e futebol não se misturam ou não entende nada de política ou entende bulhufas de futebol".
Abraços.

Sandro disse...

Foi de arrepiar... O Todo-Poderoso se superou e calou a arrogância das gazelas. Isso mostra a força de nossa camisa e reforça a idéia de que quando vale alguma coisa as moças tremem... De resto, eu quase não brinco quando escrevo que Corinthians x Bambis é a essência da luta de classes, embora eu esteja mais inclinado a pensar que o Corinthians não pertence a este mundo e que ser corintiano é antes de mais nada uma experiência religiosa.
Parabéns por seu texto professor e continue indo contra a corrente de "intelectuais" que empinam o nariz diante de um distintivo de futebol. Outro dia eu estava assistindo um documentário sobre a relação entre a ditadura argentina e a copa de 1978 e um jornalista portenho soltou essa preciosidade: "quem pensa que política e futebol não se misturam ou não entende nada de política ou entende bulhufas de futebol".
Abraços.

André Henrique disse...

A despeito do fanatismo e da luta de classes (seja lá o que for isso). Esse texto é digno de ser chamado de POESIA CONCRETA.

Agora, resta-me torcer para a poesia discreta do Santos vencer a final. Como disse o rapaz que mora comigo (não, não somos são-paulinos uauauahuuauuhaua), torcer para o corinthians já é demais.

Abraços e má sorte ao corinthians na final. Mas que seja um belo jogo, como quase foi o de hoje!

Marco Aurélio Nogueira disse...

André, Celso e Sandro:
O fanatismo e a depressão pós-derrota te cegaram, André. Vc perde uma chance de ouro de mostrar, aos teus colegas e amigos, a disposição de cair nos braços do povo e integrar-se à massa. A cegueira está te elitizando e fazendo com que vc se afaste da realidade e se distancie da população.
O Celso se saiu melhor ao reconhecer a superioridade do todo-poderoso e confessar que torceu por ele. Mas derrapou ao fazer votos para que perca a final.
Vocês, palmeirenses, infelizmente não terão esse prazer.
Santos, poesia discreta? Sei não. É um time motivado, que conseguiu achar um eixo nas últimas semanas, mas que tem pouca consistência e regularidade. Há nela, a rigor, um quase-poeta, o Madson, que se distingue pela entrega total, pela correria e pela habilidade. Se for bem marcado, o time morre.
Certo mesmo está o Sandro!

Celso Pereira Neris Junior disse...

Professor, "todo-poderoso" é só o Jim Carrey (esse é um trocadilho raivoso).

Desse jeito, vão ter que dar o prêmio de "destaque meia-maratona" para o Madson.

Apesar da minha torcida contra o imaginário "todo-poderoso", eu acho que o Santos não tem chance diante da aplicação tática do Corinthians, que tem demonstrado nos últimos três ou quatro jogos somente, apesar da regularidade no campeonato todo.
Ademais, conta com essa torcida fanática e "cega" e, nunca menos importante, o "ex-jogador" Ronaldo.

Vamos ver. Eu torço contra, claro.

Agora, eu prefiro a "elite palestrina", ser palmeirense é um estado de espírito: nosso elitismo é espiritual, indiferente as classes.

Gostou hein?

Até mais professor!

Caio Nogueira disse...

Corinthians representou nessa semi-final!
O bom foi ouvir do dirigente do São Paulo que o Ronaldo era ex-jogador...
Não tem resposta melhor do que um gol à moda antiga, arrancada e chute de classe.
É isso aí, espero que o time mostre a mesma atuação nos dois jogos da final contra o Peixe.
Abraços.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Dá-lhe, Caio! Adorei teu comentário, preciso, elegante, coisa de quem entende do assunto.

Celso, vc não sabe e por isso te conto: "Todo-poderoso" está incorporado à nossa história, e aparece escrito nas camisetas oficiais do time. Querendo, posso comprar uma e te dar de presente!

Abraços

Celso Pereira Neris Junior disse...

rss... depois que falam que corinthiano fica chato quando ganha... faz parte!

abraços!

Thaís Speranza Righetto disse...

Querido Professor, qual não foi meu espanto ao me deparar com o todo poderoso Corinthians estampando o seu blog. Quando se fala em futebol no Brasil os animos se inflamam, um dos raros momentos em que nos tornamos iguais, não importando a raça, o credo ou a condição social. Até o grande intelectual brasileiro em questão se permite brincar e demonstrar orgulhar pelo seu time. Não sei se o Corinthians é todo poderoso assim mas como a Macaca (Pont Preta) nada, nada e morre na praia o que vale é o bom humor, o respeito, amor ao time e ao futebol. Um abraço

Marco Aurélio Nogueira disse...

Thais querida:
a Macaca é nossa co-irmã de Campinas e sempre estará num coraçao preto-e-branco. Foi contra ela que ganhamos o primeiro título depois da era Pelé, em 1977. Teremos sempre ótimas relações.
Por isso, te convido para cerrar fileiras conosco nos próximos dois domingos.
Beijo

André Henrique disse...

O Palmeiras tem por hábito bater no Corinthians e na sua co-irmã, a macaca. Ano passado ganhamos o paulistão da macaca e tiramos o Corinthians duas vezes da libertadores, aquele campeonato que os corinthianos não têm.

Mas falando sério, como o futebol tem muito de política, vamos lá:
O Guarani, time de futebol de Campinas passa por uma situação financeira muito grave, minha vizinha de cidade, a Thais, deve saber bem disso. Os corruptores sugaram o sangue do guarani e, infelizmente estão soltos - sinal de que as instituições brasileiras ainda não têm a potência necessária para punir corruptos de "grande porte". Os bons exemplos que temos – alguns, claro -, de prisão de “colarinhos brancos”, esbarram na ilegalidade das investigações. Pena!

O futebol - enquanto paixão nacional - deve ser passado a limpo. Aquela CPI de 2000 ficou no vazio. Deixo uma pergunta no ar: para que serve uma CPI? Será que elas realmente são instrumentos positivos de investigação? Ainda mais agora que deputados da Comissão de ética - vejam a ironia - estão envolvidos no escândalo das passagens. Triste!

Sobre o Guarani, o clube terá que vender o estádio. De fato, a corrupção e o amadorismo no futebol têm corroído o pâncreas financeiro dos clubes, espero que ela não corroa a paixão dos brasileiros pelo futebol!

Anônimo disse...

futebol e política são, sem dúvida, minhas maiores paixões, depois da minha mulher, é claro. E que há muitas relações entre eles isso é evidente. Na minha modesta opinião o futebol tem a mesma importância para a cultura brasileira que o samba tem. Palmeirense que sou, tenho como rival o Corinthans, como inimigo o SPFC. Ganhar do Todo Poderoso é bom, mas ver a arrogância tricolor rolando por terra não tem preço. Não conheço torcedor mais ignorante em história do futebol do que o são-paulino. Acham que o futebol começou em 1991 e que seu clube é o maior do Brasil de todos os tempos, quiçá do mundo. Não percebem que o SPFC é mais um entre os grandes clubes brasileiros, assim como o Sport, o Grêmio, o Vasco, o Atlético MG, etc. E dentre os grandes, está longe de ser o primeiro. O futebol brasileiro não perderia nada se, por exemplo, tal agremiação não existisse. O futebol brasileiro seria o que sempre foi: alegre, imprevisivel, passional, imponderavel, etc. Qual o grande camisa 10 da história tricolor? O reserva do Mazinho da Copa de 1994?! Só na década de 1990 o Palmeiras teve pelo menos 2 camisas 10 tão bons ou melhores que o Raí: Rivaldo e Alex. No meu modesto entender, a santissima trindade do futebol nacional é composta por Palmeiras, Santos e Vasco. Corinthans e São Paulo sem dúvida que são grandes, mas, históricamente falando, contribuiram menos para o futebol brasileiro ser o que é do que esses três. E discordo do rapaz que diz que o elitismo palestrino é de espirito. Acho que essa palavra não pode ser associada nem em um suposto bom sentido ao clube. O Palmeiras é um dos clubes que mais representam o que é o futebol brasileiro, só isso.
Nessa final não sei por quem torcer. Sempre tive simpatia pelo Santos, mas sei lá, quem ganhar vai ser o merecedor, pois inverteram a vantajem de seus adversários nas semis. Para fechar, presenteio todos com um belo poema:

Ademir da Guia

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando

o mais irrequieto adversário.



João Cabral de Melo Neto


Abraços,
Leonardo

Marco Aurélio Nogueira disse...

Leonardo:
concordo com tudo o que vc disse, menos quanto à escolha da santidade trindade. O Vasco jamais poderia integrá-la; o Santos merece por ter sido o principal protagonista da "era Pelé"; o Palmeiras atribuo à tua paixão. Por tudo o que representam em termos de impregnação popular, de dimensão das torcidas e de força imagética e magnética, Corinthians e Flamengo não podem ficar fora de nenhuma "santíssima". São times de conquistas épicas e grandes jogadores, como nenhum outro conseguiu ser ao longo do tempo. A "era Zico" e a "era Luizinho", ou Sócrates, ou Rivelino, são as equivalentes possíveis da "era Pelé", assim como a "era Ademir da Guia" no Palmeiras.
Claro, também há um pouco de paixão nessa minha classificação, mas ela me parece mais justa e objetiva do que a tua.
Abraço

André Henrique disse...

Essa discussão sobre "santíssima" é interessante, porque mostra como o futebol brasileiro é rico e multidimensional, ao contrário do Europeu (salve as exceções). Aqui não tem apenas dois times (que lá, são mais brasileiros do que espanhóis, por exemplo), temos várias forças, algumas combalidas há algum tempo, como o Botafogo. Fora as força que surgem do interior e surpreendem o país, como o São Caetano no começo do milênio. Não comparando o time do ABC com os grandes, claro!

Ao Leonardo que é palmeirense, convido-te, assim como ao professor e a outros palmeireinses, a ler o texto que escrevi em meu blog sobre o Palmeiras. Tem três parágrafos - curtinho. Falo do gol de Cleiton Xavier, foi no finalzinho, com emoção. Assim como os jogos de 1999 contra o Flamengo na Copa do Brasil, contra o Cruzeiro na Copa do Brasil em 1998 etc. Resultados que provam que não é só o corinthians que vence no finalzinho e na raça. A vitória do palmeiras sobre o colo-colo foi épica e poderá se tornar mais significativa, leia-se, histórica, se formos campeões da libertadores.

Por tudo aqui dito, não concordo com o Leonardo quando ele restringe a Palmeiras, Santos e Vasco como os que mais contribuiram ao futebol brasileiro. Penso que o corinthians tem uma importância significativa mesmo no período duro, de 25 anos sem título, a torcida só fez crescer, ajudou os flamenguistas e vascainos lotar o Maracanã em 1976, venceu um brasileiro na raça, o de 90. E montou um verdadeiro esquadrão com Vanderlei Luxemburgo em 1998, que seguiu nas mãos de Rincon e companhia até o mundial de 2000 etc

O Palmeiras tem uma história linda. As academias, a recuperação em 93, a era parmalat e a libertadores em 1999. O São Paulo tb, o Flamengo, o Grêmio, o Inter etc.

Essa é a prova que o futebol brasileiro é rico.

Se fosse para elencar os mais vencedores, daria para colocar uns 10 times na lista:
Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Flamengo, Grêmio, Cruzeiro, Inter, Vasco, Botafogo, Santos. Com certeza esses 10 são incontestáveis. Tiro o galo e o fluminense fora de propósito, são irregulares demais para entrar na lista. O Botafogo entra pela era Mané Garrincha e serviram as seleções de 50 até 70 com grande número de jogadores.

Um adendo: o Mazinho em 1994 entrou no lugar do Rai logo na primeira fase, por conta do retranquismo do Parreira, se não estou enganado. E ele era do Palmeiras, não do São Paulo.

Abraços!!!

Link do meu texto:

http://blogdoandrehenrique.blogspot.com/2009/04/palmeiras-o-grande.html

Graça disse...

na minha modesta, e despretenciosa opinião, política, futebol e religião não se discute! apenas se vive, sente e curte. mas essa vitória do corinthians está me cheirando algo muito ligado com a política atual, isto é o Lula. claro que o Ronaldo deu o seu grande "empurrãozinho" mas não saiu desse contexto...
um grande abraço!

Marco Aurélio Nogueira disse...

Pô, Graça, não estrague a nossa festa, mais que merecida! Dizer que o Corinthians está jogando bem para favorecer o Lula parece aquele papo de que a seleção brasileira, quando vence uma copa, o faz para ajudar quem está no poder. Se o Lula precisasse na nação corintiana para se eleger, estaria perdido, porque a nação corintiana é apolítica, ou melhor, só tem uma política: a de torcer pelo time. Por isso, entre nós tem de tudo, da esquerda à direita, homens, mulheres, homos e heteros, crianças e adultos. E se o poder tivesse assim tanta capacidade de mexer os pauzinhos para ajudar este ou aquele time, O Milan seria sempre campeão na Itália e o São Paulo teria vencido tudo nos anos 70, quando o Laudo Natel era governador do Estado. Seria o mesmo que dizer que a seleção de 1970 ganhou a Copa (com aquele timaço) só para ajudar o Medici.
E viva o futebol!

Anônimo disse...

Politica e futebol.
Quem está doente: Adriano ou os outros?

Que sociedade é esta que, quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, compra cerveja e hambúrguer para todo mundo, fica empinando pipa – se considera que está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem? Quem precisa mais de apoio psiquiátrico: o Adriano ou o Ronaldinho Gaucho?

O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem “normais”. Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um tipo italiano, primeiro colocado no campeonato de lá.

Normal é ser membro de alguma igreja esquisita, cujo casal de pastores principais foram presos por desvio de fundos. Normal é casar virgem, ser careta, evangélico, bem comportado, responder a todas as solicitações e assinar todos os contratos. Normal é receber uma proposta milionária de um clube inglês dirigida por um sheik, ficar pensando um bom tempo, depois resolver não aceitar e ser elogiado por ter preferido seu clube, quando antes ele ficou avaliando, com a calculadora na mão, se valia a pena trocar um contrato milionário por outro.

Considera-se desequilibrado mental quem recusa um contrato milionário, para viver com bermuda, camiseta e sandália havaiana. Falou à imprensa de todo o mundo, disposta a confissões espetaculares sobre o que havia feito nos três dias em que esteve supostamente desaparecido – quando a imprensa não sabe onde está alguém, está “desaparecido”, chegou-se até a dizer que Adriano teria morrido -, buscando pressioná-lo para que confessasse que era alcoólatra e/ou dependente de drogas, encontrar mulheres espetaculares na jogada.

Falou como ser humano, que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que “vai dar um tempo”, que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família.

Este comportamento deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que “não se rasga dinheiro”, em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade? Quem ter que ser curada? Quem é normal, quem está feliz?