domingo, 12 de abril de 2009

Lealdade e paixão


Depois da espetacular vitória do Corinthians contra o São Paulo, no domingo de Páscoa de 2009, com direito a gol de placa aos 47 minutos do segundo tempo, não há como não falar no assunto que freqüentou os jornais nos últimos dias e provocou filas enormes em muitos cinemas. Estive com meu filho na primeira sessão, logo na estréia, dia 10 de abril.

Todos os times de futebol têm uma torcida, mas com o Corinthians ocorre algo diferente: é a torcida que tem um time.

A frase frequenta o vocabulário do futebol. Principalmente dos corinthianos, claro, que são, como poucos no mundo, torcedores que admiram e sentem orgulho de sua torcida.

Não há como ficar indiferente à sua força e ao seu magnetismo quando se vai ao estádio. A torcida faz a diferença, seja ela a dos Gaviões, a de uma outra uniformizada ou a dos torcedores anônimos, “desorganizados”. Faz a diferença para o time: aplaude, vaia, incentiva, cobra, contagia. E faz a diferença para os próprios torcedores, que saem do estádio com a sensação de terem participado de uma experiência coletiva única, meio mística, meio política, meio artística. Quem já viu não esquece jamais.

Fiel, o Filme é sobre a torcida corinthiana. Uma homenagem mais que merecida, pungente, que envolve e contagia. Deve ser visto pelos que gostam de futebol ou pelos que se interessam pela sociologia das paixões nacionais. Não é sobre jogos, campeonatos ou jogadores, nem sobre a história do clube. Nunca um filme sobre futebol se concentrou tanto nos personagens que dão sentido e alma a um time.

É um ótimo documentário. Bem bolado, com uma câmera ágil, aguda e inteligente que mapeia a massa corinthiana e a individualiza, escolhendo com sensibilidade alguns torcedores típico-ideais, desses que vestem incondicionalmente a camisa. Por meio de suas imagens e entrevistas, vê-se como aquela massa social e culturalmente múltipla se une como por mágica em torno de uma única paixão, que apaga e dilui abismos sociais.

Há uma parcialidade futebolística explícita no filme. Não se trata de obra neutra, objetivista, mas de um documentário engajado, de corinthianos sobre corinthianos e para corinthianos. A direção e o roteiro (e é de se imaginar que também a equipe toda!) couberam a “fiéis” militantes (Andréa Pasquini, Serginho Groissman e Marcelo Rubens Paiva).

Sua tese é conhecida: o corinthiano típico é alguém acostumado a sofrer. A história do clube está embebida de episódios de dor, sangue, lágrimas. Nada jamais foi fácil, nenhum título foi conquistado por antecipação, mas sempre arrancado à beira do precipício. Como diz meu amigo João Batista da Costa Aguiar – designer gráfico dos maiores e cozinheiro de mão cheio (ver seu blog Senhor Prendado) –, o Corinthians é um time grego, forjado na tragédia.

Sua trajetória é vivida pelos torcedores como uma metáfora da vida, duríssima para a maioria deles, que não desistem nem esmorecem mesmo quando o time fraqueja e decepciona, como em 2007, quando foi rebaixado para a série B. Não por acaso, este é o ano-base do filme, em torno do qual se estrutura a epopéia do retorno à série A, no ano seguinte.

Fundado por um grupo de operários no dia 1º de setembro de 1910, no bairro do Bom Retiro, na capital paulista, o clube atravessou o século furando os bloqueios que elitizavam o futebol, vencendo preconceitos e incorporando seguidores dos grupos subalternos, das periferias e dos bairros pobres da capital. A paixão foi passando de pais para filhos, das cidades para os campos, dos operários para a classe média, dos pobres para os mais ricos, agregando migrantes (baianos, pernambucanos, cearenses, “caipiras” do interior de São Paulo) e imigrantes (espanhóis, italianos, árabes, japoneses), que se encantavam com aqueles jogadores que nunca desistiam de tentar a vitória, mesmo quando ela parecia impossível.

Nascida na luta e no sofrimento, a torcida só fez crescer nos anos em que o time ficou sem títulos ou conquistas, como aconteceu entre 1954 e 1977. Passou assim a fornecer parâmetros existenciais e identidade para muita gente. A partir da mística do “Todo-poderoso Timão”, construiu-se um imaginário: o Corinhians-nação, um povo, uma família.

Fiel, o Filme é sobre paixão pelo futebol, entregas e lealdades. Chega até a surpreender quando se pensa no mundo atual, tão vazio de vínculos de pertencimento e fidelidades. Não é à toa que o futebol cresce no mundo atual. Talvez esteja nele – ou em experiências como a dos fiéis corinthianos – a única lealdade coletiva a permanecer de pé nestes tempos estranhos de vida líquida e crise de identidade. Uma lealdade sólida, humildemente estampada no slogan que se cristalizou em 2008: “Nunca vou te abandonar!”.

Vejam o filme, vale a pena. E os que quiserem conhecer o Hino do Corinthians, o mais belo, conhecido e cantado do Brasil, acessem o blog Timão no Ar.

17 comentários:

Caio Nogueira disse...

Gostei bastante do texto, assim como do filme. Já estava na hora de lançar um filme sobre o corinthians, um clube que tanto fez na história do futebol brasileiro. Além do lado jornalistico do filme, há momentos bem descontraídos que chega a ser engraçado, pois mostra exatamente o sentimento do torcedor pelo time, sem censuras.
Bom, voltando ao texto, acho que vc poderia mencionar sobre os diferentes tipos de corinthianos. Aqueles que vão de carro, aqueles que vão de ônibos (na raça) e outros que vem até de avião para ver o timão.
Emfim, corinthians é isso aí que vc escreveu mesmo, raça, paixão e sofrimento.
Mais uma vez confirmou isso contra as meninas, no pacaembu.
Abraço,
Caio.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Perfeito, Caio! O filme mostra bem este lado da diversidade social a que vc se refere. O executivo e o peão de obra, a classe média, os italianos, o cara humilde que vai com o filho, as meninas, a garota com câncer que em cada jogo disputa a vida dela. Haveria muito o que escrever.
Valeu!

Lucas disse...

Vou aceitar essa provocação e tentar ser objetivo. Foram bonitos os gols do Corinthians. O primeiro, fruto da leveza e velocidade, o segundo, numa oportunidade bem aproveitada, bem chutado, mas não vale essa placa não! O São Paulo não aproveitou duas chances que teve de definir o jogo, uma, do Borges na mão do Felipe, outra, naquela bola tirada em cima da linha pelo Elias. Futebol também tem essa mística de sorte e azar, o que torna os lances individuais o grande diferencial. Quem sabe domingo que vem não lhe envio saldações tricolores?

Marco Aurélio Nogueira disse...

As chances do São Paulo foram reais, mas o Corinthians também perdeu vários gols. O Ceni deveria agradecer aos céus... Sorte e azar fazem parte da vida, portanto também do futebol. Mas uma avaliação objetiva da partida terá de reconhecer que o Corinthians jogou para fazer gol, o São Paulo para não tomar. A Fortuna premia quem busca se viabilizar.
No próximo domingo, será outro jogo. Passará quem tiver mais Virtù...

André Henrique disse...

Sinceramente não gosto do estilo de nenhum dos dois treinadores. O corinthians precisando ganhar e o técnico Mano Menezes tira um atacante veloz - que estava abrindo os cercos da melhor zaga do Brasil -, e coloca aquele poste do Souza para fazer companhia a outro poste, o fenomenal. Ambos treinadores adotam um estilo prejudical ao futebol: coisa estática, maçante e retranqueira.

Concordo com o professor Marco Aurélio, o São Paulo jogou para não tomar gol, ressalva: como sempre! De fato, a fortuna premia quem se viabiliza, ai podemos nos reportar a um dos maiores treinadores do mundo, Vanderlei Luxemburgo, que diz "o medo de perder tira a vontade de ganhar". Por isso ele é o maior vencedor dos últimos 15 anos, tem muita virtù. Na vila, com 20 minutos, tirou um lateral e colocou um atacante, o Marquinhos perdeu um gol na frente do goleiro. Ele se arrisca, faz o time jogar pra frente, com velocidade, técnica e ousadia.
O técnico do Santos tem futuro, mudou a cara do time.
Vi um jogo espetacular, os dois times correndo barbaridade, criando chances, arriscando-se, autêntico futebol brasileiro. Diferente do futebol mecânico de domingo - que fica na dependência de bola parada e chute de longe.

No Pacaembu, vi um jogo de dar sono. Tanto que durmi no primeiro tempo. O corinthians tentando entrar por dentro da melhor zaga do Brasil, ao invés de abrir o jogo pelos cantos. E o São Paulo com aquele futebol engessado, fixo, duro...duro de assistir.

Mas reconheço uma coisa: o time do corinthians aderiu ao espírito do futebol gaúcho; imprimido pelo Mano Menezes, como Felipão a época no Palmeiras. O time não desiste, persiste e busca até o final. Foi assim contra o Barueri, contra o Mirassol, contra São Paulo e contra Palmeiras.

Acho que o corinthians ganhará. O São Paulo tem dificuldades quando precisa buscar o resultado. Se o corinthians fizer bom uso dos contra-ataques poderá ser mais feliz. (na linguagem do futebol)

Sobre o texto, bem escrito, como sempre. O problema é que o professor não conseguiu se descolar da paixão, não o julgo, acho que ninguém que gosta dessa arte incomparável, o futebol, conseguiria. Mas faço ressalvas:

1)a torcida do Flamengo é infinitamente mais criativa e empolgante que a do corinthians. A do Atlético Mineiro é do mesmo nível. E ainda tem a do Atlético Paranense, Grêmio e dos times do nordeste, sobretudo, do Sport.

2)No que tange a ter torcedores de várias classes, isso não é privilégio do corinthians - na sociedade líquida, esse "monopólio" já evaporou. A torcida do São Paulo e do Palmeiras também abrigam pessoas de todas as classes.

3)No que diz respeito a série B. A torcida do Palmeiras também foi espetacular em 2003. Lotava o estádio e ficou do lado do time. Assim como a torcida do Grêmio e do Atlético Mineiro.

Só fiz as ressalvas, porque no texto do professor e nas palavras do Cáio, existe essa tendência de diferenciar a paixão corinthiana, colocando-a em nível superior as outras, como se só a torcida do corinthians fosse apaixonada. Para mim, na prática, atualmente, isso não existe. Mas respeito a opinião do professor e do Cáio.

E não nego que a torcida do corinthians é vibrante e criativa -mais do que a do time que eu torço, Palmeiras. Mas não é mais apaixonada ou única, tem outras também.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Tá certo, André. Futebol é parcialidade, e os torcedores costumam ver os mesmo jogos de forma diferente. O jogo Palmeiras e Santos foi excelente, tanto em termos técnicos quanto em dedicação dos jogadores. Mas dizer que Corinthians e São Paulo deu sono já me parece parcialidade demais. Foi uma das grandes partidas dos últimos anos. E o Corinthians jogou muito bem. Também não concordo com a visão que vc tem dos técnicos, que não retranqueiros, mas apenas jogam com os resultados e sabem montar times com defesas sólidas. O Mano tirou o Elias por cansaço e a pedido do próprio jogador. Naquela hora do jogo, com um São Paulo meio entregue, tratava-se de tentar tudo. Pena que foi com o Souza, que é muito limitado, apesar de ser alto e forte. Eu teria ido de Morais.
Luxemburgo é um dos maiores do mundo? Bem, aí vc deve estar mesmo surtando...
Quanto a torcidas, vc tem razão em dizer que todas são passionais e leais, mas a criatividade rubro-negra não é algo tão superior, ainda que exista mesmo. Além disso, os flamenguistas não acompanham seu time onde quer que ele vá. Os corinthianos fazem isso.
É uma diferença e tanto.

André Henrique disse...

Concordo, eu também colocaria o Morais. No caso do Luxemburgo. Sendo o futebol brasileiro o melhor do mundo, e ele o técnico que mais venceu nos últimos 15 anos, acho que ele está entre os maiores. Tanto ele, como o Felipão. Os dois quase conseguiram vencer a barreira do mercado europeu, o Luxa no Real Madri e o Felipão no Chelsea. Mas cairam pelo mesmo motivo, a dificuldade de comunicação, foram derrubados.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Andrè:
o futebol brasileiro já foi o melhor do mundo, não é mais. Temos bons jogadores, mas pouca concepção coletiva. Além do mais, os jogadores têm talento mas são taticamente indisciplinados. Por isso é que, nos últimos tempos, quando as seleções tradicionais melhoraram (Itália, Alemanhã, Holanda, Inglaterra) e outras novas surgiram, o Brasil só consegue ganhar no abafa, ou na inspiração de seus craques.
Luxemburo tem problemas extra-campo. Não pode ser um dos melhores do mundo...Quanto ao Filipão, bem, tem quem goste daquele estilo macho gaúcho paizão...

André Henrique disse...

Eu sei que o professor não gosta do Felipão, certa feita, em sala de aula, ironizou o estilo disciplinador dele. O Mano não é muito diferente. É bem o estilo gaúcho.

Concordo com o professor: os jogadores brasileiros são indisciplinados e a seleção brasileira respira através dos talentos individuais. Ainda mais numa seleção que tem o Dunga como treinador.

O senhor deve se lembrar dos tempos de Telê, claro.
Toda vez que vejo uma reprise da seleção de 1982 e 86, fico hipnotizado com o futebol que eles apresentavam. Telê Santana era um técnico ofensivo e sem problemas extracampo (que incomodam a todos aqueles que gostam de respirar os ares da honestidade). No caso do Vanderlei, não sei ao certo do que o acusam. Faltam fatos e sobram factóides. Mas gosto dele pela ousadia, assim como do Telê. Sobre seus problemas extracampo, ele que se dane e responda na justiça.

Sobre a seleção do Telê, o futebol era outro né. Atualmente, faltam jogadores com técnica no meio campo, o que obriga os treinadores serem mais conservadores. Desde as categorias de base, priorizam jogadores fortes e marcadores.

No que tange aos países que o professor citou. Eu gosto muito de ver a Alemanha jogar. Torci para eles contra a Espanha, na Euro. Aquele futebol mecânico e meio desengonçado, mas coletivo e forte, eu gosto de ver, mas não quero que o Brasil copie. Só a Alemanha consegue fazer aquilo funcionar. Embora tenha mudado muito em relação ao passado.

A Itália (que o professor conhece bem) desperdiça qualidade com o excesso de conservadorismo - na copa foi um horror. A Alemanha mereceu ganhar na semi-final, produziu bem mais, a despeito de estar em casa. Jogadores talentosos como o Del Piero ficaram no banco em detrimento de zagueiros e volantes.
No jogo contra o Brasil, mês passado, tomaram 2 a 0. E mesmo assim, o técnico dá Itália só deixou o Lucatone na frente.

A Holanda é fantástica, gravei o grandes momentos do esporte que mostrou a final da copa de 1974 - a engenharia dura e chata venceu a ousadia. A Alemanha cruzou duas ou três vezes na área e venceu aquele futebol fabuloso da Holanda, cheio de novidades, como 4-3-3 e a marcação na frente etc. Embora na semi, contra o Brasil, os holandeses apelaram para violência. Tiveram grandes seleções como a de 90. A de 94 e 98eu vi, fantásticas. No período de transição, ficaram de fora da copa de 2002, mas agora estão com uma grande seleção, falta um técnico, um maestro. Perderam a última Euro de bobeira.

O nível técnico do futebol europeu é maior em função, sobretudo, dos jogadores brasileiros e argentinos que vão pra lá. A seleção brasileira é superior devido aos talentos individuais. Mas o futebol brasileiro de fato é ruim: falta infra-estrutura, muita corrupção, amadorismo administrativo, jogadores vão embora cedo e a Globo só atrapalha. Falta profissionalismo nas categorias de base e sobra corrupção!

Tenho esperança em novos presidentes que estão surgindo, como o Belluzzo e o presidente do corinthians, apesar do fantasma da MSI.

Uma pergunta professor: o professor conhece o Juca Kfouri pessoalmente, tem contato com ele?

Abraços!!!

Caio Nogueira disse...

André, ao meu ver o texto "Lealdade e paixão" não queria comparar as torcidas e sim mostrar a maneira como a torcida FIEL torce. Acho que seu comentário é um tanto quanto injusto, ao mencionar que a torcida do flamengo e de outros clubes, é igual a do corinthians. Na minha opinião, cada time tem uma torcida diferente da outra, nao tem melhor torcida cada uma tem suas crenças, seu jeito de torcer, suas músicas e sua história. O fato é que a torcida do corinthians é realmente muito marcante e contagia as pessoas mesmo. Não é a toa que o corinthians é o time que mais está na mídia. Quando ele caiu para a série B, o ibope aumentou, e a Globo ao invés de transmitir jogos de outros grandes clubes(Palmeiras, Sao P., Santos) transmitia a segunda divisão. A serie A é que se rebaixou quando o timão desceu.

Outra, a torcida do flamengo pode ser maior mas não é uma torcida que apoia tanto o time como a do corinthians. Eles lotam o maracanã, e só.
Corinthiano tem em todo lugar, já flamenguistas só no Rio de Janeiro (em sua grande maioria). Por isso que quando o corinthians perde ou ganha uma competição causa tanto impacto e repercurssão.

Mano Menezes rumo a seleção!

MARCO AF disse...

Marco Aurélio, bom texto!
Vou ter que improvisar pra ver esse filme pela internet, já que duvido que chegue nos cinemas europeus. Aliás uma falha, porque corinthiano tem em todo lugar do mundo, não só do Brasil. Já tenho meus aliados aqui em Barcelona.
Falando do jogo: tira o Douglas e põe o Boquita, o menino é bom! Só lembrar quem passou a bola pro André Santos no outro jogo contra o São Paulo.
abraço
Marco

André Henrique disse...

Cáio, frase sua:

Quando ele caiu para a série B, o ibope aumentou, e a Globo ao invés de transmitir jogos de outros grandes clubes(Palmeiras, Sao P., Santos) transmitia a segunda divisão. A serie A é que se rebaixou quando o timão desceu.

Eu:
O ibope aumentou, mas no sábado. E isso é lógico: entre filmes repetidos da sessão de sábado e os jogos do corinthians, até um ET - que não sabe o que é uma bola - preferiria os jogos do corinthians. Eu ia estudar ou para internet. Era muito chato, o corinthians era muito superior. Afinal, não sou corinthiano, os que são obviamente assistiam.

Outra:

A Globo não deixou de transmitir jogos do Palmeiras e do São Paulo coisa nenhuma, os jogos passavam de quarta e domingo normalmente, o que ocorreu é a GLOBO PASSOU A TRANSMITIR JOGOS DO CORINTHIANS NO SÁBADO. Assim como a Record fez com o Palmeiras em 2003. Ela venceu a Globo na concorrência, pagando mais.

Outro comentário seu, com uma contradição interessante também:

"a torcida do flamengo pode ser maior mas não é uma torcida que apoia tanto o time como a do corinthians. Eles lotam o maracanã, e só".
"Corinthiano tem em todo lugar", "já flamenguistas só no Rio de Janeiro (em sua grande maioria)".

Eu:

Primeiro você diz que a torcida do flamengo é maior. Depois diz que que a maioria dos flamenguistas estão no Rio de Janeiro e que corinthiano tem em todo lugar. Se fosse assim, a maior torcida seria a do corinthians, certo?

Você está errado: a torcida do Flamengo em relação aos times paulistas e cariocas, é maior no Rio, em Brasília, em Minas, no Sul, no Norte e, sobretudo, no Nordeste. No norte e no nordeste a superioridade é de tal monta, que os jogos do sofrível campeonato carioca é que são transmitidos, assim como, do brasileiro, só passa jogos de times cariocas lá. Brincando com os argumentos: o campeonato paulista e jogos de botão tem a mesma importância nessas regiões.
E mais: se a torcida do Flamengo é maior em sua maioria no Rio, como vc diz, então o Rio é maior que o Nordeste e Norte inteiro - o que não é verdade.
Vc está enganado, a torcida do Flamengo é maior, sobretudo, no nordeste. E tem uma explicação: nos anos 70,(e antes) só passavam jogos de times cariocas nessas regiões e o Flamengo era muito superior, Era Zico, só ganhavam. Como a governança do futebol sempre ficou centralizada no Rio, os times paulistas ficaram à margem. Mas, a despeito da minha brincadeira com os jogos de botão, os times paulistas atualmente, ganharam importância nessas regiões.

Não fui injusto com o texto do professor, não disse nada demais, só fiz três ressalvas. Isso é da essência do debate, como fiz agora com você, te rebatendo. É só me reportei ao texto e aos comentários, em todos os meus comentários, diga-se de passagem. Quem sou eu para ser injusto com um texto do professor Marco Aurélio? - que ao lado do Villa e do Magnoli, a meu ver, são melhores textos de acadêmicos em jornais.

Acho normal o ufanismo, a paixão no futebol é algo inexplicável. Estão me perguntando até hoje: logo vc que é quieto, só estuda, sair no corredor da kitnet gritando gol, o que deu na sua cabeça? É que nessa hora sim, foi parcialidade demais, surtei. Saimos do sufoco.

Gosto do Mano Menezes, é bom técnico. Só tenho preferência por outro estilo, mais ofensivo e menos pragmático. Rumo a seleção? Ultimamente o Ricardo Teixeira só quer cordeirinho do lado dele. Acho difícil o Mano ir pra seleção. E outra, ele precisa ganhar alguma coisa antes, tomara que não seja com o corinthians. O Palmeiras precisa de títulos, investiu muito!

Cáio, um fraterno abraço!!!

Caio Nogueira disse...

Torcida é quem torçe, não quem diz "meu time é esse" e não acompanha. Existe muita gente no Centro-Oeste que diz torcer para o flamengo por falta de opção, e até na Bahia, por isso supõe-se que a torcida do flamengo seja a maior. A população de São Paulo é maior que o dobro da do RJ, e eu não conheço nenhum Corinthiano que não tenha uma certa tendência ao fanatismo.
Pesquisei rapidamente sobre a torcida corinthiana e achei um dado interessante: "Em 1976 a torcida do Corinthians dividiu o estádio do Maracanã na semi-final do Campeonato Brasileiro, evento conhecido como "Invasão Corinthiana" e invejado por muitos."
Bom, o dia que um time tiver uma torcida que consiga fazer isso eu posso dizer que é a maior. Por enquanto a maior torcida é a do Sport Club Corinthians Paulista, e podem chorar a vontade.

Na realidade, temos que concordar que é muito dificil saber ao certo quantos torcedores existem de cada time. Corinthians e Flamengo certamente tem as maiores torcidas. Apenas acho que o torcedor corinthiano é mais fiel e mais apaixonado do que qualquer outro. Não importa aonde seja o jogo, estamos lá.
Mano menezes é um tecnico que ainda vai crescer muito. Ele tem um grande potencial, no meu ponto de vista, e a partir do momento que conquistar algum título importante vai começar a ser olhado com outros olhos.
Abraços.

Marco Aurélio Nogueira disse...

André e Caio:
vocês estão afiadíssimos! Fico feliz de ver esta discussão em um blog de política, porque ela prova que política é um campo vasto. Onde há luta, como no futebol, há política: busca de poder, submissão do adversário, regras de convivência, diálogo e reflexão.
A sofisticação do futebol hoje é enorme e não acho que tenha tirado a beleza das competições, como muita gente fala. A idéia de que no passado os jogos eram mais bonitos porque se valorizava mais a técnica do que o preparo físico me parece uma enorme bobagem. O Telê foi sem dúvida um grande técnico, mas não sei se sobreviveria ao futebol de hoje. Se sobrevivesse, não seria tão Telê quanto foi, acabaria por se adaptar. E ninguém pode ver jogadores tipo Messi ou Gerrard e pensar em força física. Os caras são preparadíssimos, mas são artistas.
Numa era de futebol sofisticado, os técnicos são atores políticos expressivos, porque são os organizadores coletivos. Há cérebros em campo, claro (mas são cada vez em menor número), mas os técnicos impõem-se como líderes, ou nada acontece.
Creio que é por isso que, nos países "periféricos", onde o nível educacional é baixo e onde os jogadores de futebol vêm de baixo, das classes mais pobres, há tanta dificuldade de se assimilar esquemas táticos, as jogadas grosseiras se multiplicam, gestos insanos como o do Cristian aparecem com frequencia. Ponham a cultura nisso (no caso brasileiro, a cultura da malandragem) e encontrarão explicação para muita coisa que ocorre dentro e fora de campo no Brasil.
Meninos, continuem! E chamem seus amigos para discutir!!! De repente fazemos um forum ampliado...

Marco Aurélio Nogueira disse...

Marco querido:
esperei o jogo de hoje para saudar o teu comentário. Vindo de Barcelona, mostra que a paixão pelo timão é internacional! Acho que o filme não chegará mesmo por aí. nem poraqui ainda saiu em DVD. Mas sairá, e aí quem sabe não fazemos ele chegar até a Catalunha?

Thaís Speranza Righetto disse...

Sei que futebol não é muito a 'praia' das mulheres, mas resolvi me intrometer na discussão. Atualmente resido em Piranhas- AL e qual não foi a minha surpresa ao chegar aqui me deparar com uma legião de flamenguistas, vascainos, palmeirenses, etc...A grande questão é que durante muito tempo a Globo transmitia apenas os principais campeonatos nacionais (RJ e SP)e não haviam as afiliadas para transmitir os jogos dos campeonatos do nordeste.Bom acho que paro por aqui, rs
Um abraço,
Thaís S. Righetto

André Henrique disse...

Obrigado Thais,

Você ratificou o que eu disse. Fato é fato né. A torcida do Flamengo é maior e pronto. É mais empolgante e pronto. E tem explicação, a que eu dei, você confirmou - e está em campo. Quem discordar, vai lá e faça pesquisa de campo. Os que já fazem, mostram que a torcida do corinthians no nordeste está embolada com a do Palmeiras e São Paulo e se sobressai em SP. O Vasco se mata com o Palmeiras pelo quarto lugar em maior torcida, por quê? Porque no nordeste as torcidas cariocas são maiores, tanto do Flamengo, quanto do Vasco. Mas é claro que os times paulistas estão crescendo muito mais. A torcida do São Paulo hoje, é a que mais cresce, sobretudo entre os jovens.

Sobre futebol europeu, eles vivem de jogadores brasileiros e europeus. O professor citou o Messi, ele é argentino, ofensivo e joga num time ofensivo. O Gerard é fantástico mesmo e o Liverpool joga pra frente. O Manchester, que tem, para mim, o melhor técnico do mundo, o Alex Fergusson, joga para frente e o Arsenal idem.
O futebol europeu, tanto na Inglaterra quanto na Espanha é pura correria e ofensividade. Futebol retranqueiro é o alemão e italiano. E às vezes, depende do time e do técnico. Na Itália, o Mourinho joga pra frente e a Inter é líder.

O futebol moderno, pelo menos no Brasil, começou com o São Paulo na era Telê e foi onde ele ganhou mais. É claro, respaldado por uma grande estrutura. O Telê teria que se adaptar sim,não nego.
E o futebol não perdeu beleza, em minha opinião.
MAS O FUTEBOL BRASILEIRO CAIU PORQUE OS JOGADORES ESTÃO SAINDO CEDO PARA FORA. NÃO HÁ LEIS QUE PROTEJAM OS CLUBES. OLHA A POLÍTICA AI.

E PARA TERMINAR, PENSO O SEGUINTE: O FUTEBOL BRASILEIRO NÃO É MELHOR QUE O EUROPEU AQUI DENTRO. MAS É MELHOR QUE O EUROPEU, DENTRO DA EUROPA. NA ÚLTIMA LIGA DOS CAMPEÕS HAVIAM 103 JOGADORES BRASILEIROS INSCRITOS NA COMPETIÇÃO.

Quando um jogador europeu se destaca e vai jogar em sua seleção nacional, como é o caso do Ibrahimovic na Suécia, desaparece, porque o time é ruim. Os jogadores brasileiros são muito melhores e sem eles os campeonatos europeus não seriam nada. O mesmo se dá com Cristiano Ronaldo, a seleção de Portugal é de dar dó. O melhor jogador do time, até ontem, era um técnico -, o paizão machão luso-gaúcho. A seleção brasileira é sempre favorita nas copas, na última perdeu por conta do Oba-oba estúpido que o Parreira, cordeirinho do Ricardo Teixeira, não controlou.

Outro dado: a eleição da FIFA de melhor jogador do mundo - que escolhe na verdade o melhor da EUROPA, porque só ganha quem está jogando lá - elege pedominantemente jogadores brasileiros.