quarta-feira, 9 de julho de 2008

Eleições, Congresso e legislação



Grazie, Sizenando

O Portal UOL me pediu para falar sobre as eleições municipais que, a esta altura, já ocupam o centro da agenda política brasileira. O repórter Diogo Pinheiro buscou focalizar de modo especial o efeito que a legislação eleitoral tem sobre as disputas, sobretudo no que diz respeito ao controle e à regulamentação da propaganda eleitoral e dos gastos das campanhas.

Foi um papo bom, dinâmico.

Para os que tiverem interesse, aqui vai o link da UOL: http://eleicoes.uol.com.br/2008/ultnot/2008/07/08/ult6120u13.jhtm



4 comentários:

Celso Pereira Neris Jr. disse...

A idéia de "feedback contínuo" com "flexibilização (relaxamento) ex-post" das leis eleitorais me chamaram a atenção na fala do senhor.

A "liquidez" com que as ideologias atuam é assustadora, daí a sobrevivência de partidos como órgãos sem relevância, como simples agremiações para disputa, nas quais alguns saem dali com o objetivo alcançado. Não há programas de partido baseado em uma ideologia comum pelos pares, salvo justíssimas excessçoes. É mais ou menos a idéia de Adam Smith no plano eleitoral: "cada um lutando pelo seu, trará um benefício a agremiação respectiva" o que também é objeto de ponderação já que o tal "benefício" está condicionado a outra condição que se fez necessária norma: "fidelidade partidária".

Em suma, é um espetáculo de candidatos a vagas públicas tentando mostrar o quanto podem ser mais eficientes, transparentes e éticos que outrem (o que deveria ser uma qualidade inerente a um pleiteador de tal posto), ao contrário de um debate amplo com idéias e "soluções" aos problemas da sociedade.

Esta nova lei vai obrigar o corpo-a-corpo. Quem sabe isto força os pleiteadores a aprimorar-se mais no debate, já que o espetáculo será podado.

Celso Pereira Neris Jr. disse...

não é necessário aceitar este comentário, até porque está fora do eixo temático do texto... mas se o senhor quiser, é apenas uma provocação.

Professor, sei que já estou enchendo as paciências, mas o senhor é um cientista político que respeito desde antes de fazer economia na unesp, quando assistia o "opinião nacional" com o alexandre machado e o senhor dando entrevista, além dos "grandes cursos" em que o senhor participava. Confesso que queria muito conhecer o senhor e até prestei ciências sociais em araraquara por conta disso, mas não passei e acabei prestando ciências econômicas no ano posterior e passei. Tive a oportunidade de vê-lo nas palestras que o senhor ministrou e na titulação para professor titular na universidade. Em suma, é grande o meu respeito pelo senhor.

Ademais dessa "rasgação de seda", gostaria de fazer um pedido ao senhor: que escrevesse sobre essa "não-globalização" no aspecto político. Quer dizer, porque as instituições "supranacionais" não as são. E qual é o papel do Estado, nos países em desenvolvimento, diante disso. Por exemplo, o Chávez propôs um boicote econômico à união européia por conta da "lei de imigração" desta. Será uma saída, esta constituição de blocos multilaterais regionais? Ou mesmo a aliança entre países com o mesmo propósito como o G-5 criticando o G-8? Se for, a globalização política ficará apenas no imaginário? Têm uma frase do Hobsbawm em seu novo livro dizendo "a política é o único aspecto humano em que a globalização não se fez presente", mais ou menos isso. A emergência de novos países em desenvolvimento com força política e econômica em paralelo a queda do EUA como superpotência, será capaz de constituir uma nova ordem internacional? Como se posicionam os Estados Nacionais?

Estou muito influenciado pelas leituras de Hobsbawm em seu novo livro "Globalização, Democracia e Terrorismo", Octávio Ianni "A sociedade global" e "Teorias da globalização", Milton Santos "Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal", Ulrich Beck "O que é globalização?", Stiglitz "Globalização: como dar certo", que andei fazendo avulsamente para tentar entender essa nova "ordem".

Como faço economia e estou no GEEIN, esse aspecto político e sociológico não é muito explorado por razões quase que óbvias, a não ser nas disciplina de história econômica contemporânea. Bom, não sei se o senhor entendeu a minha provocação e o que gostaria de ler do senhor! Inclusive comprarei o seu novo livro e pedirei para que o assine!

Obrigado, até mais!

Sizenando disse...

quem agradece sou eu:
o link, o seu blog e o espaço que permite meus desenhinhos e meus discursos. grande abraço.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Celso:
Teu "pedido" é pertinente, mas é sobretudo uma ótima sugestão de pesquisa. Por que vc mesmo não segue este caminho? Se vc olhar alguns dos textos que estão linkados na coluna da esquerda do blog, verá que tenho tentado algo nesta direção. Não avancei muito, até por limitações pessoais. A bibliografia que vc listou é muito boa, e todos os livros exploram a idéia de que temos um mercado global, uma sociedade global, mas não um Estado global. Acho que também não temos uma sociedade civil global, com o que não temos bem uma política global, ou seja, a política continua sendo feita a partir dos interesses e pesos específicos dos diferentes Estados. As instituições supranacionais existem, e são supranacionais, mas isso somente em parte, justamente porque os Estados nacionais (e as multinacionais do capital) continuam com as rédeas nas mãos. Uma dinâmica efetivamente pós-nacional ainda não se generalizou.
É mais ou menos por aí que vejo. mas fica a sugestão de que vc pense numa pesquisa para responder aos problemas que vc está diagnosticando.