segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A política como prática cotidiana


Foi com esse mote que o jornal A Gazeta, de Vitória, ES, apresentou a entrevista que concedi ao jornalista Vitor Vogas, publicada na edição de 12 de outubro de 2009.

Por que defender a política? Isso não seria o mesmo que defender os políticos, coisa que, hoje em dia, parece mesmo indefensável? Com as instituições políticas em pronunciada crise ética, como falar de política sem se associar imediatamente ao mal ou ao mundo do poder, com sua dupla face de pressão e sedução? Na esteira dessas perguntas, muitas vezes não respondidas, os cidadãos vão se afastando da política e acabam por empurrá-la para um baú de coisas inúteis.

Mas será que justamente por ser essa a situação não é hora de remar contra a maré? De insistir na idéia de que, por mais desacreditada que esteja a política, cada cidadão deve procurar praticá-la cotidianamente e aprimorá-la naquilo que está a seu alcance? A hipótese é de que esse pode ser o caminho para evitarmos um mergulho na barbárie.

A entrevista pode ser acessada nesse link.

4 comentários:

André Henrique disse...

Professor, queria deixar uma questão. Há mais de uma década tem autores dizendo que a democracia representativa está em crise e tende acabar. Por outro lado, tem-se a sensação que o modelo de governo do auto-governo, do povo escolhendo seus representantes chegou pra ficar. Diante disso, se a democracia representativa está em crise e, ao mesmo tempo, o modelo de autogoverno é hegemônico, que tipo de democracia se aventa no horizonte, uma democracia direta?
As instituições democráticas, sobretudo as casas legislativas, não conseguem responder as demandas da sociedade atual, parece que estão paralisadas. E, estamos na era da internet, dizem que estão emergindo novos canais de deliberação, falam em "ciberdemocracia", o que o professor acha disso?

JuarezFrmno disse...

mabioMuito interessante e pertinente o post "Possibilidades da política"... Me faz lembrar do poema "O analfabeto político", de Bertold Brecht. E como sofre o brasileiro por cultivar essa ignorância... Enquanto formadores de opinião, é nosso dever combater toda forma de comodismo e subserviencia a que o povo está acostumado a se encostar, e vale lembrar que os lacaios da politicagem já estão se articulando para ludibriar o povão nos pleitos que se aproximam!!! Valeu pelo excelente artigo. Marco Aurélio, fique com o meu fraternal abraço.

Marco Aurélio Nogueira disse...

Valeu, Juarez!
André: é difícil responder a uma questão com a tua. Aqui no blog há vários textos que tratam dela. Falando de modo simples e direto: não me parece razoável dizer que a democracia representativa está com os dias contados. Crise não é sinônimo de fim. Também não me parece razoável dizer que o modelo de autogoverno é hegemônico. Hegemônico onde? Em nenhum lugar existe autogoverno. A literatura política também não referenda isso. Quanto à ciberdemocracia, é algo emergente, que ainda não provou seu valor, nem sua factibilidade.

André Henrique disse...

No livro "em defesa da política" o senhor fala sobre crise, depois que o professor respondeu aqui voltei no livro e li, agora entendi bem sobre conceito.
Sobre autogoverno, eu deveria ter usado o termo sistema democrático, é menos polêmico.
Mas, li e ouvi esse termo autogoverno algumas vezes, referente ao fato do povo decidir quem serão seus governantes.
Li esse trecho no livro de José Murilo Carvalho: "Os direitos políticos têm como instituição principal os partidos e um parlamento livre e representativo. São eles que conferem legitimidade à organização política da sociedade. Sua essência é a idéia de autogoverno".

Bom...ele está dizendo que é uma idéia. Mas essa expressão autogoverno vem dos clássicos, por exemplo, do Locke?

Autogoverno é estranho mesmo, parece que abstrai a idéia de instituições. Bom, é isso!